Brasões de Aveleda e Rio de OnorUnião das Freguesias deAveleda e Rio de Onor
Varge

Varge

Máscaras, cor e memória do Natal

Máscara de careto, símbolo da Festa dos Rapazes de Varge
A máscara de careto, o rosto mais reconhecível de Varge.

Varge é a mais pequena das quatro localidades da União das Freguesias, mas guarda uma das tradições mais vivas e coloridas de toda a Terra Fria Transmontana: a Festa dos Rapazes, com os seus Caretos de trajes de lã multicolor que, no Natal, tomam as ruas da aldeia em rituais de raiz pagã transmitidos de geração em geração. O Abade de Baçal já a documentava há mais de um século, e a RTP levou-a à televisão em 1994.

Ao contrário de outras aldeias da região, onde os Caretos saem pelo Carnaval, em Varge a tradição acontece a 25 e 26 de dezembro, com preparativos que arrancam já a 1 de novembro, na Lenha das Almas. Entre rondas ao som da gaita-de-foles, o Cantar das Loas e a Corrida à Rosca, a festa mistura religião, humor popular e memória coletiva — e continua viva também graças a mestres artesãos como Cláudio Moreira, que desde 2009 fabrica as máscaras à mão.

Entre lameiros e socalcos, a vida em Varge manteve-se ligada à agricultura e à pastorícia. Junto ao rio, uma pequena cascata guarda o antigo moinho comunitário, hoje parte da Rota dos Moinhos e dos Lameiros inaugurada em 2022 — e é também à beira-água que a aldeia se reúne, entre a ponte, a Casa do Povo e o café-restaurante “O Careto”, nome que diz tudo sobre a identidade desta terra.

“Em Varge os Caretos não saem no Carnaval — saem no Natal.”

Galeria

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Pontos de Interesse

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Lenha das Almas (1 de novembro)

Tradicionalmente, a 1 de novembro os rapazes recolhem lenha no monte comunitário. É depois leiloada, com as receitas destinadas à celebração de missas pelas almas — o arranque simbólico da preparação da festa de Natal.

Os Mordomos

Organizam e conduzem a festa, coordenam os rapazes e transportam a vara usada na Corrida à Rosca. No final da festa, a escolha dos novos mordomos simboliza a transmissão das responsabilidades à geração seguinte.

25 de dezembro: alvorada, caretos e loas

A gaita-de-foles e a missa abrem o dia. Depois, os caretos percorrem a aldeia com chocalhos e máscaras, lançando feno e brincando com os habitantes. Seguem-se o Cantar das Loas — versos satíricos sobre episódios do ano — e a Ronda de Boas Festas pelas casas.

Corrida à Rosca

Ao fim da tarde de 25 de dezembro, as roscas transportadas pelos mordomos são leiloadas; quem compra pode desafiar outro participante para uma corrida de cerca de 100 metros. Alimento, leilão e desporto num só ritual.

Santo Estêvão (26 de dezembro)

Dia dedicado ao patrono dos rapazes: missa, pequeno-almoço coletivo e escolha dos mordomos do ano seguinte.

Antigo Moinho Comunitário

Junto a uma pequena cascata do rio, o velho moinho de pedra ainda conserva o rodízio original na parede — testemunho da vida comunitária de outros tempos, quando as famílias da aldeia moíam ali o seu cereal por turnos.

Rota dos Moinhos e dos Lameiros

Percurso transfronteiriço que liga os antigos moinhos comunitários de Aveleda e Rio de Onor, sinalizado como GR 298.1. Foi executado pela própria União das Freguesias, com cofinanciamento do Turismo de Portugal, e inaugurado a 12 de novembro de 2022.

A Ponte

A ponte que atravessa o rio no centro da aldeia, ponto de passagem histórico e um dos postais mais fotografados de Varge — com a torre da Igreja de São Miguel ao fundo.

Fonte dos Caretos

Fonte reconstruída em 2018, com um painel cerâmico do arquiteto Duarte Saraiva alusivo aos Caretos de Varge — a tradição presente também no espaço público da aldeia.

Artesãos e artesanato

Mestres artesãos

Fernando Tiza

Máscaras de careto

Nascido em Varge em 1953, vestiu o careto pela primeira vez em 1974, quando a festa recomeçou, e desde então é a grande referência da aldeia no fabrico de máscaras em folha-de-flandres e cortiça, pintadas a vermelho e preto. Expôs a solo no Museu Ibérico da Máscara e do Traje, em 2013.

Contacto: 273 919 023

CM

Cláudio Moreira

Máscaras em folha-de-flandres

Fez a primeira máscara aos 16 anos, para poder sair com os caretos de Varge. Em 2023 mostrou o seu trabalho na exposição "A Arte dos Caretos de Varge", no Museu Ibérico da Máscara e do Traje.

AA

António Alves

Máscaras e miniaturas

Natural de Varge, fez a primeira máscara aos 15 anos, para a Festa dos Rapazes. Trabalha madeira, folha-de-flandres, ferro, cortiça e cabaça, e faz também miniaturas de máscaras, moinhos e carros de bois.

Máscaras de careto

O fabrico artesanal recorre a madeira, cortiça, metal ou escrinho, conforme o artesão. Cláudio Moreira, natural de Varge, começou a produzir máscaras em 2009 e foi protagonista da exposição "A Arte dos Caretos de Varge", no Museu Ibérico da Máscara e do Traje, em 2023. António Alves é outro dos nomes ligados à preservação desta arte.

Festa dos Rapazes

Os caretos de Varge

25 e 26 de dezembro, com preparativos desde 1 de novembro

Em Varge a festa é também a Festa de Natal. Os preparativos começam a 1 de novembro, com a recolha e o leilão da lenha das almas. A 25 e 26 de dezembro, entre a missa, as loas, a ronda de Boas Festas e o jantar dos rapazes, os caretos tomam conta da aldeia.

O que a distingue: As loas e a corrida à rosca. Os mordomos levam varas em forma de árvore, onde se penduram as ofertas.

Conhecer todos os caretos
Grupo de caretos de fatos de retalhos coloridos e máscaras de lata, numa rua de pedra de Varge
Os caretos a passar na rua, em Varge
Dois caretos de máscaras vermelhas e fatos de retalhos de muitas cores
Caretos de máscaras vermelhas, em Varge
Dois caretos lado a lado, um com fato de colcha de lã e outro com tiras de tecido azuis e brancas
Fatos de colcha e de tiras de tecido, em Varge
Careto de capuz dourado e máscara vermelha, com tiras de tecido às cores
Careto de capuz dourado, em Varge

Igrejas e capelas

Igreja de São Miguel

A igreja paroquial, do século XVII, ergue-se num ponto alto, sobre a aldeia, e vale a subida. A festa do padroeiro, São Miguel, é a 29 de setembro.

Capela do Santo Padre

À entrada da ponte sobre o rio Igrejas, ao lado do restaurante O Careto, a pequena capela caiada tem sineira de um sino e uma cruz no topo. Documentada em 1758 como Capela de São Sebastião, é hoje conhecida como Capela do Santo Padre.

O moinho a trabalhar

A água entra pela levada, faz girar a mó e o grão cai da tremonha de madeira. Dois pequenos vídeos mostram o moinho de Varge em funcionamento, como no tempo em que as famílias da aldeia moíam ali o seu cereal, por turnos.

O moinho de Varge em funcionamento.
A mó a moer o cereal, no moinho de Varge.

A Ronda de Boas Festas

No dia de Natal, depois da missa e das loas, os mordomos e os rapazes percorrem as casas de Varge na Ronda de Boas Festas. Levam as varas enfeitadas, em forma de árvore, onde se penduram as ofertas dos vizinhos, e param à porta de cada casa para desejar boas festas. É um dos momentos em que a aldeia toda se junta à volta dos rapazes, e das fitas e laranjas que enfeitam as varas.

Onde Ficar e Onde Comer

Onde Ficar

Casa do Peirão

Alojamento em Varge, com quartos com ar condicionado e wi-fi, vistas para a montanha e para o rio, e pequeno-almoço simples.

Turismo rural em Aveleda

Na aldeia vizinha de Aveleda, a cerca de 3 km de Varge: casa de turismo rural em pedra e madeira, no centro da aldeia.

Onde Comer

"O Careto" — Café/Snack-Bar e Restaurante

Casa tradicional com varanda florida no centro da aldeia, batizada em homenagem à figura do Careto. Café, snacks e cozinha caseira transmontana.

Restaurante Lombada, em Babe

A cerca de 7 km de Varge, na EN 308: cozinha regional transmontana, com carne e pratos na brasa.

Telefone
273 926 425

Gastronomia

Distinguimos o que é específico desta aldeia do que é património gastronómico partilhado por toda a região.

Distintivo desta aldeia

Roscas da Corrida à Rosca

Símbolo gastronómico mais distintivo de Varge, com função cerimonial no ritual de 25 de dezembro. Não existe uma receita única documentada — cada família tem a sua.

Sabor regional

Butelo com casulas

Enchido fumado de porco servido com vagens de feijão secas — prato transmontano, não exclusivo de Varge.

Sabor regional

Folar transmontano

Pão enriquecido com carnes e enchidos, tradicionalmente ligado à Páscoa em toda a região.

Sabor regional

Fumeiro regional

Alheira, salpicão, chouriças e presunto — a matança do porco e o fumeiro são comuns a toda a Terra Fria Transmontana.

Fauna e flora

Varge fica junto ao rio Igrejas, entre lameiros, juncais e soutos, no Parque Natural de Montesinho. A água, as margens arvoradas e os montes à volta dão abrigo a muitas aves e a animais do Parque.

Fauna

  • Lontra e truta, nos rios do Parque
  • Garças e outras aves de água
  • Raposa, texugo e javali
  • Corço e veado
  • Lobo-ibérico, nos montes mais afastados

Flora

  • Choupos, salgueiros e amieiros nas margens
  • Juncos e vegetação de ribeira
  • Castanheiros e carvalhos
  • Giestas e urzes nos montes
  • Lameiros e hortas junto ao rio

Curiosidades

  • 1

    Em Varge os Caretos saem no Natal; noutras aldeias da região as mascaradas seguem o calendário de Carnaval.

  • 2

    A inscrição da UNESCO distingue os Caretos de Podence — os Caretos de Varge são uma tradição distinta, sem esse estatuto.

  • 3

    A RTP documentou a aldeia e a Festa dos Rapazes num programa de 1994 sobre Bragança.

  • 4

    O Abade de Baçal já referia, nas suas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, os encontros de rapazes solteiros, gaiteiros e mascaradas em Varge.